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Como fez com Dilma, Lava Jato atrapalhará Temer

Como fez com a administração de Dilma Rousseff, a Lava Jato atrapalhará o futuro governo de Michel Temer. Ao pedir investigação contra o presidente do PSDB, Aécio Neves, e quatro senadores da cúpula do PMDB, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mostra que a Lava Jato continuará a incomodar quem estiver governando.
Nesse sentido, a investigação será um pedra no sapato do futuro governo Temer. Um dos principais líderes da oposição, o senador mineiro Aécio será um dos fiadores políticos do futuro governo. Hoje mesmo deverá entregar um documento do PSDB com sugestões e condições para apoiar o governo. O vice-presidente Michel Temer já conversou com tucanos sobre esse documento e almoçará hoje com dirigentes do partido.
Rodrigo Janot também solicitou apuração contra quatro senadores da cúpula do PMDB no Senado: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Waldir Raupp e Romero Jucá, este último cotado para ministro do Planejamento.
No momento em que o PT está sendo apeado do poder, a Lava Jato decide ampliar o leque de investigações. A delação de Delcídio do Amaral é o primeiro passo dessa abertura de foco.
O listão da Odebrecht deverá ser investigado, causando ainda mais dano a políticos da oposição ao PT e que passarão a apoiar o novo governo. Os rumores em Brasília a respeito das delações de executivos da Odebrecht que estão em negociação dão conta de estrago multipartidário com impacto no Congresso.
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Investigação contra Dilma
Desde a época em que a Câmara debatia o pedido de abertura de impeachment de Dilma, havia no Palácio do Planalto o temor de que Rodrigo Janot pedisse uma investigação contra a presidente baseado na delação do senador Delcídio do Amaral e nas colaborações premiadas de executivos da Andrade Gutierrez.
Janot segurou o pedido de investigação para não ser acusado de intervir politicamente a favor do impeachment. Hoje, com a situação cristalizada no sentido de que o afastamento da presidente é questão de tempo, ele deverá apresentar um pleito para investigar eventual tentativa da presidente de interferir na Lava Jato, o que Dilma sempre negou e usou como um ativo político em seus discursos.
Na provável apuração sobre Dilma, o ex-presidente Lula também deverá ser investigado. Do ponto de vista político, a investigação terá pouco impacto sobre o iminente afastamento da presidente do cargo e a aprovação do impeachment pelo Senado. Mas dificultará a defesa pública de Dilma, porque haverá um questionamento incômodo.
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Saia justa
Teve repercussão negativa no STF (Supremo Tribunal Federal) a entrevista de Eduardo Cunha ao jornal “O Estado de S.Paulo” na qual o peemedebista disse que só sairá do domando da Câmara em fevereiro do ano que vem.
A afirmação de Cunha deixa o tribunal numa saia justa. Em breve, segundo o ministro Teori Zavascki, ele pretende levar ao plenário do STF o pedido de Rodrigo Janot para que Cunha seja afastado da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal.
O Supremo está devendo essa resposta ao país, ainda que seja uma decisão de não interferir noutro poder. A participação de Cunha no impeachment de Dilma deixará uma mancha histórica pela inação do Supremo em relação ao peemedebista.
Entre os articuladores do novo governo Temer, a leitura foi a seguinte: Cunha mandou um recado de que não aceitará pressão para sair de cena na nova administração.
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Como fez com Dilma, Lava Jato atrapalhará Temer Como fez com Dilma, Lava Jato atrapalhará Temer Reviewed by Ze Felipe on 10:18:00 AM Rating: 5