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Governo tenta antecipar definição do processo de impeachment no Senado


Devido as instabilidades recentes, o governo interino de Michel Temer (PMDB) já planeja a antecipação da definição do processo de impeachment da presidente da República, Dilma Vana Rousseff (PT), no plenário do Senado Federal. A informação foi publicada na madrugada desta quinta-feira, 26 de maio, pelo jornal “O Estado de São Paulo”. Dilma está afastada por 180 dias para se defender das acusações de ter cometido crime de responsabilidade ao ter autorizado a realização das “pedaladas fiscais”.

A decisão do atual governo foi tomada, segundo o “Estadão”, devido aos últimos acontecimentos, sobretudo, o vazamento da gravação de áudio contendo a conversa entre, o agora ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-senador e ex-presidente da Transpetro (empresa ligada a Petrobrás), Sérgio Machado, na qual negociavam uma espécie de “sangria da Lava Jato”, ou seja, uma “blindagem” aos avanços da Operação para, com isso, proteger determinados políticos, principalmente os peemedebistas, como os próprios Jucá e Machado, Renan Calheiros (presidente do Senado), e o ex-presidente da República, José Sarney.

Além do conteúdo desta conversa, vazada na última segunda-feira, 23 de maio, pelo jornal “Folha de S.Paulo”, outra grande preocupação do governo interino é a delação premiada do próprio Sérgio Machado, que conversa com Romero Jucá na referida gravação vazada, homologada nesta quarta-feira, 25, pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, responsável pela Lava Jato na suprema Corte.

Especialistas políticos acreditam que o Governo Temer pretende antecipar a votação do impeachment para antes do prazo de 180 dias, estabelecido pelo Senado, pelo fato de ter a maioria dentre os congressistas, o que pode garantir o afastamento definitivo de Dilma Rousseff do comando do Palácio do Planalto antes que uma crise política se instaure no atual governo, o que seria bastante possível a depender do conteúdo que será divulgado da delação premiada de Sérgio Machado.

O atual governo teme que outros nomes sejam citados por Machado em sua delação, sobretudo, o nome do presidente interino Michel Temer, o que poderia impulsionar uma forte instabilidade deste com a opinião pública. Ainda segundo apuração do jornal “O Estado de São Paulo”, o objetivo do governo interino agora é o de concluir o afastamento de Dilma no mês de agosto, e não mais em setembro, como havia sido programado pelos senadores no início deste mês de maio.

“Machado pode ser o Delcídio do PMDB”, diz cientista político
Para o cientista político Jorge Gomes, a delação premiada de Sérgio Machado pode provocar danos ao atual governo, assim como a delação do ex-senador Delcídio do Amaral provocou no governo afastado do PT.

“Machado pode ser o Delcídio do PMDB. Caso envolva o nome de Michel Temer nos esquemas dos peemedebistas para barrar as investigações da Operação Lava Jato, com o intuito de proteger os seus correligionários, uma grande mancha será jorrada neste governo interino, inclusive, com relação a sua legitimidade constitucional, tão defendida pelos apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff.”, afirma Gomes.

“Delcídio citou Dilma e Lula no caso do ‘petrolão’, e isto deu gás para a oposição (que agora é governo) para avançar com o pedido de impeachment da presidente da República. O mesmo pode acontecer agora, caso Temer seja citado por Machado. O PT e os seus aliados terão munição para avançar com a ideia de que o processo de impeachment contra Dilma é ‘viciado’ e que foi um ‘golpe’, dado por políticos interessados em se proteger da Lava Jato.”, conclui o cientista político.
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Governo tenta antecipar definição do processo de impeachment no Senado Governo tenta antecipar definição do processo de impeachment no Senado Reviewed by Ze Felipe on 11:07:00 AM Rating: 5