[Politica]

Nesta sexta, Dilma começa a se despedir do poder



A presidente Dilma Rousseff começa a se despedir do poder. Nesta sexta-feira, a comissão especial do Senado deve confirmar as expectativas e aprovar o parecer de seu relator, Antonio Anastasia, que recomenda a admissão do pedido de impeachment da petista e seu consequente afastamento do Palácio do Planalto. A esta altura, trata-se apenas de uma formalidade, já que aliados e adversários dão como inevitável a saída de Dilma.

A resignação dos poucos companheiros de Dilma, quanto ao seu destino, é expressa eloquentemente pelo seu sumiço. Só os que são forçados a defender a presidente por uma questão de rito é que estão dando a cara a tapa: os cinco senadores aliados na comissão especial do impeachment, e o ex-ministro da Justiça e atual advogado geral da União, José Eduardo Cardozo.
Seu padrinho e criador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; seus ministros mais próximos, como Aloizio Mercadante; seus correligionários do PT; os movimentos sociais e sindicais… ninguém mais parece disposto a levantar um dedo em prol de Dilma. Só resta à presidente defender-se sozinha. Seus aliados já encaixotam suas coisas. Não querem ser os últimos a apagar a luz.

Veja as principais notícias do impeachment desta quinta-feira (5):
Coisa de novela 1 – Depois de chamar o vice-presidente Michel Temer de traidor, conspirador e golpista, a presidente Dilma Rousseff se referiu ao peemedebista nesta quinta-feira (5) como “usurpador de mandato”, durante cerimônia do programa Minha Casa Minha Vida, em Santarém (PA).

Coisa de novela 2 – Dilma, sobre Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara: “a única coisa que eu lamento, mas eu falo antes tarde do que nunca, é que infelizmente ele conseguiu, e vocês assistiram, ele presidindo na cara de pau o processo na Câmara, lamentável processo na Câmara.”

Coisa de novela 3 – O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB) afirmou que está sendo perseguido e sofrendo retaliação por ter aberto o processo de impeachment, ao comentar a decisão do STF de aprovar o seu afastamento da presidência da Câmara por unanimidade.

Parcialidade – O relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que recomenda a abertura do impeachment expressa uma “vontade de condenar”, afirmou o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que voltou a defender a tese de nulidade do processo por ter sido iniciado a partir de um ato de vingança do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Uma coisa é uma coisa… – Segundo o relator do processo de impeachment no Senado, Antonio Anastasia, o caso não se restringe apenas ao julgamento das contas, mas sim trata de um crime de responsabilidade praticado pela presidente, e os dois processos são independentes.

Nada feito – O plenário do Tribunal Superior Eleitoral rejeitou nesta quinta-feira (5), por unanimidade, recursos da presidente Dilma Rousseff nos processos ajuizados pela Coligação Muda Brasil e o PSDB, que visam cassar o mandato da presidente e do vice-presidente, Michel Temer.

Autodestruição – Dilma cavou a própria saída da Presidência, que deve ser consumada na semana que vem por decisão do Senado, ao se mostrar inábil e com dificuldades em dialogar com políticos, afirmou à Reuters o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB).

Outsider – O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), apresentou um voto em separado ao relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) na comissão especial do impeachment. Em 62 páginas, na contramão ao parecer de Anastasia que defende o prosseguimento, o petista defende a inadmissibilidade do processo contra Dilma.
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