[Politica]

Temer lamenta prisão de Paulo Bernardo: 'Fato doloroso' e fala da herança maldita de Dilma

O presidente em exercício, Michel Temer, afirmou nesta sexta-feira (24) em entrevista exclusiva à Rádio Estadão que lamenta o contexto da prisão de Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O político petista, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), integrante da chamada tropa de choque de Dilma na comissão do impeachment no Senado Federal, foi preso na manhã de ontem em Brasília, no âmbito da operação Custo Brasil - um desdobramento da Lava Jato.
— Vi a declaração de Gleisi de que ele [Paulo Bernardo] foi detido na frente dos filhos. É um fato doloroso e eu quero lamentar publicamente a prisão dele. De qualquer maneira, é preciso prestar obediência às decisões [judiciais].
Questionado sobre o fato de a ação da Polícia Federal, que prendeu o ex-ministro e fez busca e apreensão no apartamento funcional de sua mulher, a senadora Gleisi, que tem foro privilegiado, ter sido autorizado por um juiz de primeiro grau e não pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente em exercício defendeu a manutenção da harmonia entre os Poderes Legislativo e Judiciário.
“É preciso prestar muito obediência a este princípio", disse, complementando que a desarmonia é inconstitucional.
Preso na manhã desta quinta-feira, Paulo Bernardo é investigado pela suposta coordenação de um esquema de corrupção no Ministério do Planejamento, que teria desviado R$ 100 milhões entre os anos de 2010 e 2015.
Dívida dos municípios
O presidente em exercício, Michel Temer, falou também que a sua gestão está avaliando se é possível atender também a demanda dos municípios em relação às dívidas com a União.
— Nós temos repetido que a repactuação [da dívida] dos Estados traz benefícios aos municípios. A questão específica dos municípios nós vamos estudar, mas eu não quero adiantar nada. Em um país democrático, os Estados são fortes. E é preciso fortalecer os municípios também.
Temer disse acreditar que a repactuação da dívida com os Estados pode ajudar a "tirar o País da crise". O presidente reiterou que tem consciência de sua interinidade, mas age como se fosse presidente efetivo.
— Se não agisse como efetivo, não faria a repactuação da dívida dos Estados. Respeito o Senado, mas vou governar pensando no bem do povo.
Herança
Na entrevista, Temer afirmou que recebeu uma "herança um pouco mais complicada do que imaginava" do governo anterior de Dilma Rousseff.
— Eu tive pouca atuação nas políticas públicas durante estes mais de cinco anos enquanto vice-presidente. Foi uma realidade problemática com a qual me deparei, digamos desconhecida.
O presidente em exercício disse que a parte "mais difícil" da herança recebida são os altos índices de desemprego.
— Estamos com quase 12 milhões de desempregados, esta é herança mais difícil. Mas nós estamos tomando rapidamente medidas para recuperar a economia e podemos recuperar a credibilidade se recuperarmos o emprego.
Temer reforçou ainda que é preciso primeiro cortar na carne "do que onerar o cidadão".
(R7)
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