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Gleisi: “Se vai indiciar o Lula, tem que indiciar todos que atentaram contra a Lava Jato”


Em Curitiba para a convenção municipal do PT que lançou o deputado estadual Tadeu Veneri como candidato à prefeitura de Curitiba, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) reconheceu que o fato de nenhum partido ter se aliado ao PT nestas eleições municipais é reflexo do atual momento enfrentado pela legenda, no centro na Operação Lava Jato e com a presidente Dilma Rousseff afastada por conta de um processo de impeachment. Processo que ela acredita ainda ser possível reverter no Senado. 

Investigada pelo Ministério Público Federal, Gleisi disse, nesta entrevista ao Paraná Portal, não ter problemas com a Lava Jato, mas cobrou do juiz Sérgio Moro que faça com os outros partidos o mesmo que está fazendo com o PT. Sobre a abertura de processo contra o ex-presidente Lula, ela disse achar estranho não haver ação contra "todos aqueles que estavam atentando contra a Lava Jato".

Confira a íntegra da entrevista

Paraná Portal: O PT indo para a eleição municipal com chapa pura, sem nenhum aliado tanto na majoritária quanto na proporcional, é um reflexo do momento de crise que o partido atravessa?

Gleisi Hoffmann: É um reflexo do momento, sem dúvida nenhuma. Um momento que se tenta isolar o PT, principalmente aqui no Paraná, em Curitiba, que tem uma repercussão maior. Mas também é uma oportunidade de reafirmarmos o nosso projeto, o nosso programa, a nossa caminhada. Muito do que essa cidade desfruta hoje em termos de investimento, políticas sociais, programas de sucesso, só foi possível porque tivemos um governo do PT no Brasil, Se não tivéssemos um governo do PT no Brasil, nós não teríamos nem a metade dos investimentos sociais que temos hoje na capital do Paraná.

Paraná Portal: Não há risco de o partido 'fritar' um nome como o do Tadeu Veneri lançando-o candidato nesta situação?

Gleisi Hoffmann: Primeiro que o Tadeu está disposto e quis enfrentar essa candidatura. Isso é importante. Se ele não quisesse, nós também compreenderíamos e não iríamos forçar ninguém. Acho que isso é a primeira coisa, no PT se tem liberdade. E acho que o Tadeu está demonstrando uma coragem ímpar, porque a gente conhece o caráter das pessoas nos momentos difíceis e não nos momentos fáceis. E ele está pegando a campanha em um momento difícil para fazer o confronto, a resistência e, principalmente defender o legado e o projeto que nós temos para o país.

Paraná Portal: Estamos entrando no mês decisivo para o julgamento do processo de impeachment da presidente Dilma. O Jogo já está decidido?

Gleisi Hoffmann: Não é um jogo decidido. Eu confio que nós temos condições de reverter. Acho que na comissão as coisas estão mais difíceis, mas no plenário não. Até porque nós tivemos decisão importante do Ministério Público Federal de dizer que não constitui crime a pedalada fiscal e, portanto, mandar arquivar o procedimento criminal que foi instaurado. Isto tem que ter impacto no Senado. O Senado não pode, agora, condenar uma presidente da República sem ter crime, sem ter objeto. Já não tinha autoria, em termos da pedalada, e agora não tem objeto. O Senado tem que ter responsabilidade. Não pode cair no canto da sereia do Temer, do presidente interino, que diz que o julgamento é meramente político. Não existe julgamento meramente político. O único julgamento meramente político num sistema presidencialista é o julgamento das urnas, não tem outro.

Paraná Portal: Nesta semana, o ex-presidente Lula recorreu à ONU contra a Operação Lava Jato, operação que, inclusive, já atingiu sua família, qual é a sua opinião sobre a forma como a operação vem sendo conduzida?

Gleisi Hoffmann: Eu não tenho problema nenhum com a Lava Jato. Eu acho que ela só existe, inclusive, porque nós fizemos um esforço muito grande de fazer com quue a legislação deste país avançasse e a transparência também. Foi da presidenta Dilma a iniciativa da lei das organizações criminosas, que deu o instrumento da delação premiada para ser usado, foi do presidente Lula a lei do acesso à informação, o Portal da Transparência, a CGU (Controladoria Geral da União) que foi criada e agora extinta pelo governo Temer, o poder dado e a autonomia ao Ministério Público e a Polícia Federal. Eles têm que fazer esse trabalho. O que eles não podem fazer é algo seletivo contra o PT. Eu acho que se vai indiciar o Lula, tem que indiciar todos aqueles que estavam atentando contra a Lava Jato. Eu fico perguntando por que o pessoal do PMDB, o Romero Jucá, que aparece em uma gravação falando em auto e bom tom que era preciso fazer o impeachment para estancar a sangria, não teve nenhuma ação. Então, as coisas tem que ser medidas de forma diferente. Responder pelos erros é uma obrigação de todos nós que temos vida pública. Agora, o que não pode é esses erros serem levantados de forma seletiva. Eu espero, sinceramente, que o juiz Sérgio Moro tenha coragem de fazer com todos os partidos o que ele está fazendo com o PT.

Paraná Portal: Por falar em responder pelos erros, sua campanha errou ao aceitar dinheiro de operações irregulares?

Gleisi Hoffmann: Eu nunca soube que aceitamos dinheiro de operações irregulares. Eu aceitei dinheiro de empresas. Se você me perguntar se eu errei ou não sobre isso, e essas empresas estão envolvidas, eu não sei te dizer se errei ou não, porque é o sistema. Todo mundo fazia isso nas campanhas eleitorais. Eu acho que o que nós erramos como partido, como instituição política, foi não ter enfrentado essa questão da reforma política eleitoral. Isso nós erramos, porque nós não poderíamos ter nos colocado simplesmente no mesmo nível e feito da mesma forma. Aí sim cabe uma autocrítica. Agora, sozinha, resistir a isso, seria uma coisa muito difícil, mesmo porque grande parte das articulações que tive durante a campanha foram via PT. E tenho certeza também que o PT não sabia que tinha dinheiro desviado, que tinha dinheiro sujo para ele e dinheiro limpo para o Aécio. Porque é isso que está se tentando vender para a sociedade: sujo só para o PT, para o PSDB era limpinho. Tem muita hipocrisia neste jogo.

Paraná Portal: Mas o PT não foi eleito justamente para acabar com esse tipo de situação? Não era isso que pregava o partido? E não foi o fato de o PT ter adotado as mesmas práticas que condenava que causou essa decepção tão grande da sociedade?

Gleisi Hoffmann: É que decepção e ódio também são construções políticas, não acontecem normalmente. O que nós tivemos foi uma campanha sistemática contra o PT, fazendo com que o PT pudesse ser a tradução da maior corrupção da história do país. As pessoas acham isso. Não dá para a gente achar que isso é correto. Eu acho que teve decepção com o PT, decepção com aqueles que achavam que a política tinha que ser mais ousada na área econômica, que tinha que ser mais ousada na área social, isso é do jogo. Agora o ódio que tem, a forma como está sendo combatido o PT, isso está sendo criado, isso não é normal. O ódio, como dizia o Mandela não é algo que nasce com a gente. O ódio se ensina. E eles estão ensinando pela mídia, estão ensinando pela depreciação do partido e pelo preconceito. Isso é muito ruim para a democracia.

Paraná Portal: E o que vai ser do PT daqui para frente?

Gleisi Hoffmann: Vai ser um partido aguerrido que tem, com certeza, que fazer sua autocrítica. Vai ter que mudar em muitos aspectos, mas vai continuar sendo um partido importante no sistema político brasileiro. É o maior partido de esquerda na América latina. Um pais que tem uma quantidade de partidos que temos, 35, não pode prescindir daqueles partidos, sejam eles de esquerda, de centro ou de direita, que tenham construção histórica. E o PT tem construção histórica.

Por: (UOL notícias/midiacon)

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Gleisi: “Se vai indiciar o Lula, tem que indiciar todos que atentaram contra a Lava Jato” Gleisi: “Se vai indiciar o Lula, tem que indiciar todos que atentaram contra a Lava Jato” Reviewed by Ze Felipe on 7:26:00 PM Rating: 5