[Politica]

Homem de confiança de Dilma vira alvo da Lava Jato

Agentes da Polícia Federal cumpriram na manhã desta quarta-feira (6) um mandado de condução coercitiva e outro de busca e apreensão em Porto Alegre relacionados a desdobramentos da Operação Lava Jato.
Na capital gaúcha, o alvo da ação denominada pela PF de Pripyat é o engenheiro Valter Cardeal, que foi diretor da Eletrobras e era um dos homens de confiança da presidente afastada Dilma Rousseff. A investigação apura desvio de recursos na Eletronuclear.
G1 tentou contato com a defesa de Cardeal, que não respondeu até a publicação desta matéria. O mandado contra o engenheiro foi cumprido às 9h20, de acordo com a PF.
Quem é Valter Cardeal
O engenheiro foi alvo de denúncia, em 2010, de envolvimento em ação movida por um banco controlado pelo governo da Alemanha para receber pagamento de empréstimos, quando comandava o conselho de administração da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) do Rio Grande do Sul, no ano de 2005.
Cardeal pediu afastamento em julho do ano passado do cargo de diretor da Eletrobras após ser citados na imprensa como possível beneficiário do esquema. À época, negou irregularidades.
Formado em Engenharia Elétrica e Eletrônica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), atua no setor elétrico há mais de 30 anos. Foi presidente interino da Eletrobras de 2007 a 2008, e hoje aparece como diretor licenciado da empresa.
No Rio de Janeiro
No estado do Rio de Janeiro, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva, outros três mandados de prisão temporária, oito de condução coercitiva e 25 mandados de busca e apreensão. Até as 8h35, três pessoas tinham sido detidas, inclusive o principal alvo da Operação, o ex-diretor-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva.
As investigações da PF apontam que um clube de empreiteiras atuava para desviar recursos da Eletronuclear, principalmente os destinados às obras da Usina Nuclear de Angra 3. O objetivo da ação é desarticular organização criminosa que atuava na Eletronuclear.
A Operação Pripyat apura os crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sendo um desdobramento da 16º fase da Operação Lava Jato, denominada Radioatividade, deflagrada em julho de 2015.
O nome Pripyat é uma referência a uma cidade perto da usina de Chernobyl, na Ucrânia, que fazia parte da então União Soviética. Moradores tiveram que deixar o local às pressas após o desastre nuclear na usina, transformando-a numa cidade fantasma.
Desmembramento da Lava Jato
A ação penal sobre o esquema de corrupção na Eletronuclear foi desmembrada da apuração de irregularidades na Petrobras no dia 29 de outubro, e encaminhada para a Justiça Federal do Rio. Com o desmembramento, deixou de ser julgada na Justiça Federal do Paraná, onde tiveram início as investigações da Lava Jato.
Othon está afastado da Eletrobras desde abril do ano passado por conta das investigações. Em 28 de julho, foi preso na 16ª fase da Lava Jato, acusado de receber R$ 4,5 milhões de propina das obras da Usina Nuclear de Angra 3. Inicialmente, o ex-diretor ficou detido em um quartel do Exército em Curitiba. Em novembro, foi transferido para o 1º Distrito Naval, no Rio de Janeiro, e atualmente está em prisão domiciliar.
Em junho deste ano, o MPF pediu a condenação de Othon por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e obstrução da Justiça. Na ocasião, o advogado do ex-diretor da Petrobras afirmou que ele só se pronunciaria nos autos.
Em abril, em depoimento na 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, o ex-presidente admitiu que usou contratos de fachada feitos com empresas de amigos para receber dinheiro da construtora Andrade Gutierrez, mas negou que fosse propina.
(G1)

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