[Politica]

Milicianos do MST agridem venezuelanos que protestavam no Rio contra Maduro


A Venezuela exportou para o Brasil a repressão aos seus próprios cidadãos, que não podem mais protestar pacificamente nem no Rio de janeiro.

Na manhã de quinta­ feira, 1, cerca de vinte cidadãos venezuelanos que moram na capital carioca se concentraram em frente ao consulado da Venezuela, no centro. Seis dias antes, eles agendaram por e­mail um encontro com o cônsul­ geral, Edgar Alberto González Marín, para entregar um documento pedindo respeito aos prazos do referendo revogatório que pode encurtar o mandato do presidente venezuelano Nicolás Maduro. 

Para surpresa dos participantes, eles não só foram impedidos de entrar no prédio como tiveram de dar passagem a um grupo de cerca de dez membros do Movimento Sem Terra (MST), que chegaram com bandeiras vermelhas e camisas com dizeres a favor do chavismo. Agitados, eles chamavam os venezuelanos de fascistas e traidores. 

O grupo do MST subiu ao consulado e desceu do prédio com mais bandeiras e pôsteres, ao lado do cônsul e de outros membros do grupo que já estavam no local antes da chegada dos venezuelanos. “O cônsul não teve a menor preocupação em esconder que havia usado a representação para receber os mercenários pagos para nos boicotar”, disse a VEJA o venezuelano William Adrian Clavijo Vitto, de 26 anos, um dos organizadores da concentração. 

Além de usar um alto ­falante para ofender os manifestantes, os homens convocados pelo consulado ameaçaram William pessoalmente. “Um deles me empurrou algumas vezes e disse que sabia que eu morava em Botafogo e estudava na UFRJ, que ainda nos veríamos. São informações que não coloquei em lugar nenhum, está claro que foram fornecidas pelo próprio consulado”, disse. Policiais no local evitaram agressões. Agora, William responsabiliza o cônsu l­geral, 

Edgar Alberto González Marín, por qualquer atentado contra a integridade física ou qualquer violação dos direitos constitucionais dos cidadãos que estiveram no protesto. A ligação entre o MST e o governo venezuelano é antiga. Em outubro de 2014, a Polícia Federal prendeu a babá dos filhos do então ministro venezuelano Elías Jaua tentando entrar com um revólver no Brasil. Jaua esteve no Brasil para assinar convênios com o MST na cidade de Guararema, a 80 quilômetros de São Paulo. 

Folhapolitica

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