[Politica]

Deputado do PT diz que 'Sérgio Moro tem traços de paranoia' e a corrupção não é o grande mal do país



No exercício de seu primeiro mandato político há pouco mais de um mês na Câmara, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro
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 Wadih Damous (PT-RJ) já se destaca como uma das principais vozes do partido contra a operação policial que mergulhou o governo Dilma Rousseff em sua maior crise política. Para o deputado, a Lava Jato é conduzida de forma “abusiva” e “arbitrária”, desrespeita direitos e garantias fundamentais dos cidadãos e representa uma “ameaça” à democracia e à economia do país.

O juiz que preside esse inquérito, o Dr. Sérgio Moro, tem traços de paranoia, porque ele coloca a hipótese acima do fato. Juiz não pode trabalhar com hipóteses. A polícia e talvez Ministério Público, sim. Mas o juiz não. O juiz trabalha com elementos objetivos”, dispara. Segundo ele, o magistrado usou de hipóteses para prender, por exemplo, executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez na semana passada. “Ele estabeleceu um padrão de prisão preventiva absolutamente inconstitucional e arbitrário. Usa a prisão para chantagear, para obter delações”, complementa.

Nesta entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Wadih sugere que o Supremo Tribunal Federal (STF) invalide a operação que apontou a existência de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. Na avaliação dele, a Lava Jato está contaminada por arbitrariedades, como as prisões prolongadas para coagir, segundo ele, os acusados a aderirem à chamada delação premiada – instrumento que possibilita ao investigado a redução da pena mediante colaboração com a Justiça.

Para o deputado, a delação premiada consiste numa “farsa”. “O delator, para mim, chegou ao ponto mais baixo da espécie humana. Tenho ojeriza a delatores, a dedo-duro. Quem lutou contra a ditadura sabe o que é ser um dedo-duro, um delator. O juiz Sérgio Moro acha isso essencial, mostrando a impotência e a incapacidade de fazer uma investigação mais aprofundada. Quem está delatando provavelmente está mentindo, total ou parcialmente”, considera.

O ex-presidente da OAB-RJ admite que, devido à repercussão do caso, uma eventual anulação da Lava Jato criaria um desgaste maior para o Supremo em relação à derrubada de outras duas grandes operações, a Satiagraha e a Castelo de Areia, também invalidadas sob o argumento de que houve abusos e ilegalidades nas investigações. Ainda assim, avalia, os ministros precisam agir de acordo com a própria consciência.

Corrupção

Para o deputado, os métodos utilizados na Lava Jato põem em dúvida até mesmo a existência do esquema de corrupção em torno da Petrobras. Balanço divulgado pela estatal estima em mais de R$ 6 bilhões as perdas com desvios de recursos na companhia. Na avaliação de Wadih, o combate à corrupção não pode ignorar princípios da democracia, como o da ampla liberdade de defesa.

“Não é a corrupção o grande mal do país. A corrupção é um mal que, como qualquer mal ou crime, tem de ser combatido, mas com os instrumentos da democracia. Tem gente que defende que para pegar essa turma tem de ser com arbitrariedade mesmo. Eu não concordo com isso. Estou fora disso”, afirma. “Toda vez que a lei e a Constituição forem desrespeitadas, vou reclamar. Não acho que a corrupção seja um bem maior que os outros, não é maior que a vida, que a educação, a saúde”, emenda.

Wadih afirma que o “padrão” da Lava Jato segue o modelo do julgamento do mensalão, no qual, segundo ele, o Supremo usou “coisas esdrúxulas e idiotas” para condenar petistas históricos, entre outros políticos, banqueiros e demais operadores do esquema. “Ficam esses juízes metidos a justiceiros, mandando e desmandando no país. E o pior: este juiz [Sérgio Moro] quer quebrar a economia brasileira? Ele e esses procuradores querem o quê? Desnacionalizar setores estratégicos da economia nacional? Colocar no olho da rua milhares de trabalhadores? É para isso que existe a Operação Lava Jato?”

Via: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/%E2%80%98sergio-moro-tem-tracos-de-paranoia%E2%80%99-diz-deputado-do-pt/

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