[Politica]

O juiz Sérgio Moro advertiu Lula sobre intimidação a autoridades


Nos 15 minutos finais do interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito pelo juiz federal Sérgio Moro, na quarta-feira passada, dia 10, em Curitiba, o magistrado questionou o petista sobre cinco fatos que podem caracterizar tentativa de intimidação às autoridades da Operação Lava Jato e advertiu o réu sobre a conduta “inadequada”.

São episódios de declarações públicas, em que Lula disse que poderia um dia “mandar prender” os procuradores da República que o investigam, que “lembraria dos delegados” que o conduziram de forma coercitiva, em março de 2016, que só ele poderia “brigar” com a Lava Jato, além de processos movidos contra testemunhas, investigadores e até “o próprio juiz”.
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O interrogatório começou às 14h do dia 10, com um frio de 13 graus e uma leve garoa. A sede da Justiça Federal, no bairro Ahú, sitiada por um exército de policiais militares acionados para evitar protestos dos cerca de 20 mil manifestantes – a maior parte, membros do MST e de centrais sindicais – que foram a Curitiba, em defesa do petista.

Agressividade

Depois de três horas de audiência, Moro questionou Lula sobre “atitudes e informações” descritas por ele como “bastante agressivas”.

“Indo para a parte final das minhas indagações, são algumas perguntas sobre a atitudes e afirmações do senhor ex-presidente no curso desse processo.”

“Senhor ex-presidente durante as investigações da Operação Lava Jato, o senhor tem efetuado afirmações bastante agressivas contra os agentes da apuração dos fatos”, afirmou o juiz, que passou a descrever os supostos atos de intimidação.

“O senhor ainda promoveu ação de indenização contra uma testemunha, o senador Delcídio do Amaral Gomes, que foi julgada improcedentes; o senhor promoveu ação de indenização contra um delegado, que ainda tramita; o senhor ex-presidente promoveu ação contra um procurador da República, que ainda tramita; o senhor ex-presidente chegou até a propor ação criminal contra mim, por supostos abusos de autoridades e por unanimidade foi reputada inviável por oito desembargadores do TRF-4.”

Ao final, Moro quis saber: “Essas iniciativas foram mesmo de sua escolha senhor ex-presidente?”

“A recomendação é que não seja respondida a indagação”, intercedeu o criminalista José Roberto Batochio, um dos quatro defensores de Lula presentes à audiência.

“O senhor, ainda que não responda, tem que dizer que não vai responder”, explicou Moro, presidente da audiência que durou quase 5 horas.

“Não vou responder doutor”, disse Lula, enquanto mexia na pasta de papeis sobre a mesa, com dados do processo, feita por sua defesa.

“O senhor ex-presidente não acha que essas medidas não podem ser interpretadas como atos de intimidação contra a atuação de agentes públicos?”, questionou Moro.

“Não vou responder, doutor”, repetiu o ex-presidente.

Moro prosseguiu, questionando sobre os fatos. “Tem um vídeo na internet de declarações do senhor ex-presidente, em 2 do 12 de 2016, consta que o senhor teria afirmado referente aos agentes envolvidos na Lava Jato, abre aspas: ‘preciso brigar com eles, porque alguém tem que reagir, alguém tem que reagir. Com muita humildade, se tem alguém que pode resistir à essa euforia e judiciária (…) sou eu, estou disposto a fazer o que é necessário'”, leu o magistrado. “O senhor ex-presidente pode esclarecer o que queria dizer com isso?”

“A recomendação segue sendo a mesma”, interpelou o advogado de defesa. “Se o senhor não quiser responder tem que dizer aqui”, voltou a dizer Moro. “Eu não vou responder, não vou responder”, confirmou Lula.

O juiz afirmou ainda que consta que “no dia que a Polícia Federal realizou sua condução coercitiva para prestar depoimento”, Lula teria dito aos policiais “que seria eleito em 2018 e lembraria de todos eles”. “O senhor afirmou isso para eles?”

Lula então respondeu: “Não sei se disse que lembraria de todos eles, sinceramente, sabe? Ahh e também não sei se eu disse que seria eleito em 2018, porque em uma eleição você tem que perguntar… é que nem mineração, só depois da apuração é que você sabe. A verdade é que eu, eu estava…”.

Moro interrompeu a resposta e quis saber: “E o senhor disse algo parecido?”

“Não, não lembro se eu disse ou não. Mas eu posso dizer agora, eu estava encerrando a minha carreira política já há tempo porque se eu queria ser candidato eu seria em 2014. Mas agora depois de tudo que está acontecendo eu estou dizendo em alto e bom som que eu vou querer ser candidato a presidente da República outra vez.”

O advogado Cristiano Zanin Martins disse que sobre o tema há um questionamento feito sobre gravações feitas pela Polícia Federal. “Parece ruim utilizarem uma pergunta em um interrogatório uma gravação cuja gravação que está submetida a análise.”

Mesmo assim, o ex-presidente deu sua explicação para o fato. “Não lembro o que aconteceu, porque a reunião dentro do aeroporto de Congonhas, no meu depoimento, foi uma coisa muito tranquila. Foi uma coisa muito tranquila com a presença de deputados acompanhando, sabe? Não teve… sabe, eu sinceramente não tenho a menor noção.”

Via: exame.abril
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