[Politica]

Sem subvenção da Prefeitura do Rio, escolas de samba podem não desfilar em 2018


O brilho das apresentações das escolas de samba pode acabar embaçado pelo anúncio feito pelo na segunda-feira (12) pelo prefeito Marcelo Crivella. Ele quer cortar em 50% a subvenção de R$ 2 milhões dada a cada agremiação do Grupo Especial para o próximo carnaval. Com isso, escolas como a campeã Mocidade Independente de Padre Miguel e Estação Primeira de Mangueira - uma das mais tradicionais do Rio – podem não desfilar em 2018.
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Segundo o prefeito, com o dinheiro repassado ao carnaval, ele pretende dobrar o valor diário gasto com crianças matriculadas em creches conveniadas com o município. Ou seja, por cada criança o Rio passaria a pagar R$ 20.

O vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, lamentou a decisão de Crivella. Ele acredita ser impossível produzir um espetáculo a altura do carnaval do Rio de Janeiro com 50% da subvenção atual. E lembrou que o carnaval costuma atrair R$ 3 bilhões para os cofres públicos.

“As escolas são importantes bandeiras culturais da história do Rio de Janeiro. Geramos empregos, movimentamos a economia e oferecemos oportunidade de entretenimento e inserção social a uma camada considerável da população. Se as pessoas tivessem noção dos gastos para manter uma agremiação, teriam mais atenção com esse aspecto”, disse Pacheco.

Como Pacheco, o presidente Chiquinho da Mangueira também concorda que o corte na subvenção pode comprometer o trabalho das escolas. Afinal, as agremiações têm um custo alto de manutenção de barracão, contratação de profissionais, como ferreiros, eletricistas, artesãos, além de artistas, como coreógrafos. São muitas pessoas e empregos envolvidos num desfile de carnaval.

A Liga Independente das Escolas de Samba vai promover uma reunião com os representantes das agremiações do Grupo Especial nesta quarta-feira (14), para discutir o assunto.

Decisão preocupante

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) recebeu com preocupação a possibilidade da redução da subvenção destinada às escolas de samba.

"É o maior evento turístico do País, um dos maiores espetáculos do planeta e, sem dúvida, o mais importante da cidade. Grandes eventos como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e a Jornada Mundial da Juventude já passaram e nã voltarão mais. O único que permanecerá para sempre é o Carnaval e ele deve ser preservado. É uma decisão preocupante. Neste momento, em que vários segmentos da economia estão em recessão, o turismo não pode ser comprometido", disse o presidente da ABIH, Alfredo Lopes.

Ele fez a mesma resssalva em relação às Parada Gay de Madureira e Copacabana, que também podem receber menos subvenções do município.

"Eventos como as paradas gays são fundamentais para cidades que têm o turismo como uma das principais atividades econômicas, como é o caso do Rio. Da mesma forma que o Carnaval, devem ser mantidas", afirmou Lopes.

G1

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